Gente da Minha Terra | Osvaldo Reis

Osvaldo Reis pintor santomense tem apresentado a sua obra na sua terra, onde vive e trabalha, e também na Europa em Lisboa e Amesterdão. O trabalho deste autor é hoje já uma referência evidente no âmbito das artes plásticas de São Tomé. O argumento narrativo desta exposição “Gente da minha terra” é indicativo das origens do autor: as referências culturais ao seu povo que são evidentes. Todo o ambiente plástico reflectido no suporte tela tem o fulgor caloroso, luzente, das Ilhas de São Tomé e Príncipe. São peças pictóricas onde o casario sobressai porque elas falam-nos do interior da nossa/sua casa, a do autor. São portas que se abrem para nos receber como se também nós fizéssemos parte de todo este mundo real e imaginado recriado. Estamos perante toda uma explanação íntima sobre o nosso habitat: o planeta terra com o foco no continente africano, na pequena Ilha de São Tomé e Príncipe, que vagueia por águas do Oceano Atlântico. bem próxima da linha do equador. Osvaldo vai precisamente captar todo este cenário natural, abrasador, de clima quente e húmido, onde sobressai a montanha e a exuberante floresta. As representações deste autor incidem nesta força enérgica que manifesta uma cultura fortalecida pelas reminiscências de um povo e que são a gênese da gente da sua terra. Osvaldo observa descortinando através da pintura 0 que ele próprio vivência. Todo o ambiente é feito de pessoas, de diálogo e de espaços de encontro. A pintura vive da explosão da cor, como se um vulcão se reacendesse, como se um dia um lugar acordasse em festa, com fogo de artifício num sonho vivo e alegre e em que os mais novos e os mais velhos, todos juntos, descortinassem a quimera.

Osvaldo trata as formas da natureza, do meio mais urbano, no campo ou na cidade, por meio de figuras tendencialmente geométricas. Representa silhuetas humanas a preto e branco e a cor. As partes de um todo desdobram-se em formas que se juntam num mesmo plano.

Com efeito, a representação não é exatamente a aparência real das coisas, muito pelo contrário é como um jogo com todos os naipes das cartas: o coração copas; a árvore trevo do naipe dos paus; a cor exultante dos ouros e as armas das espadas em que não sabemos quando se confrontam e… quem sai vencedor. É de facto um jogo: a tela é o resultado do fim de um jogo que tem muito da vida. Um baralho, o cruzamento de cartas, de figuras, feições, a justaposição de formas e cor, dos naipes, das vitórias e derrotas da criação. Trata-se de um convívio de todas as partes que compõem uma tela. Um encontro amigo que é jogo e a alegria em acordar, no dia-a-dia, a expressar um caminho Único que é o definido por Osvaldo.

Para ele pintar e reconfigurar a aparência das coisas decompondo-as. Linhas, contornos mais ou menos definidos, confronto de cores quentes com as frias, a terra e a água do mar. Imagina formas onduladas da natureza, o arco-íris feito de luz e de cor, as formas predominantemente retilíneas dos carros e casas, as circunferências que são o rosto da sua gente, as árvores da floresta mais carregada com o verde a descobrir tantas outras cores.

Osvaldo Reis, revela nos seus quadros a impressão radiante da luz. Expressa a liberdade do traçar e o movimento pictórico sem um rumo pré definido. O seu pincel passeia-se pela variação da cor que caracteriza a sua própria terra uma ilha cercada pela imensidão do azul do oceano e do céu. O clarão do nascer de um novo dia, a noite, a transição do tempo, o movimento do espaço circundante, tudo é pretexto para as pinceladas soltas que capturam as variantes de cor da própria natureza.

Rui A. Pereira

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